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Intervenção local e reflexões sobre o quotidiano social, político e cultural de Vila do Conde

Friday, February 13, 2004

Outro "papagaio"
Mas, nesta sexta-feira, não foi apenas Abel Maia a "brilhar". Outra voz "reformada" (de bancário a assessor camarário), Carlos Laranja, veio abordar a estafada questão do hospital, tentando responder, sem o referir, ao conteúdo do meu texto da semana passada,"Os Inimigos do Hospital", qual "papagaio" do responsável municipal.
No final, o escriba insinua que as suas palavras são a reposição da "verdade" para que "alguém" - que não Mário Almeida, obviamente, pois merece os louros todos - não usurpe os louros da resolução das questões relacionadas com a saúde em Vila do Conde.
Meus caros: por muito que lhes custe, esses assuntos só foram desbloqueados com o advento do governo de Durão Barroso. Ponto final!
Aliás, do mesmo modo, se já tivessem havido mudanças na gestão do municipio, há muito que teríamos água canalizada e saneamento básico no concelho. (Mas, enfim, quem esperou até agora, também pode esperar pela oportunidade que se voltará a deparar em Outubro de 2005...)
Exemplo:
Os vereadores da oposição fazem visitas a colectividades e outras entidades locais, para tomarem contacto com o concelho real; a "folha de couve" (é verde e tudo) apelidada de jornal - mas que é dobrada, semanalmente, na sede do PS, no Largo dos Artistas, às terças-feiras à noite - vem logo escrever que estes elementos do PSD/PP andam a "incomodar" os dirigentes das colectividades, com as suas visitas inoportunas! Mas, na semana a seguir, sabe-se que ou Mário Almeida ou, mais discretamente, os elementos da Juventude Socialista fizeram (ou pretendem fazer) os meus trajectos, procurando auscultar as populações. É para rir, não acham?
Mais ainda!
Refiro-me ao "brilhante" (de um ponto de vista filosófico, também se pode brilhar na mediocridade) texto(?) do escrevente de serviço Abel Maia, na edição de Vila do Conde de O Primeiro de Janeiro. Sobejamente conhecida a sua ambição de vir a ser presidente - embora ele seja o pior inimigo de si próprio, pela congrangedora falta de ideias e de personalidade (numa expressão, falta de atitude) - sabe-se que nunca lá chegará. Por isso, diverte-se a bajular o patrão e a desancar em Miguel Paiva (para não variar). É confrangedor, meus caros! Quem tem falta de quê? Quem são os nervosos e ansiosos, aqueles que vâo "a todas"? Que "copiam" estratégias? Vejamos como funciona esta gente:
Mas há mais!...
As tais prosas apresentam todas um raciocínio de bajulação ao "chefe", defendendo-o com unhas e dentes contra os "maus" que lhe querem mal; os "outros" são mal-criados e o chefe é um primor de gentileza - como se a gente, os "outros" e os vilacondenses, de um modo geral, não lhe conhecessemos a sua história pessoal (por agora, deixem-me recordar um exemplo de tal fineza comportamental: numa assembleia municipal, após uma das muitas eloquentes intervenções de Albano Loureiro (chefe da bancada do PSD), Mário Almeida irritou-se e afirmou "o sr. está a ser ordinário". Ninguém reparou? Ninguém se importou? Deve ser por se tratar de uma afirmação de "fina educação"...será, pá?, (embora eu depois tenha escrito, publicamente, sobre o assunto....)
...Mas, sempre atento!
Este aparente "alheamento" do meu blog não me impediu de estar atento - como sempre! - ao que se passa no concelho. Sobretudo às prosas de certa gente "socialista" que pretende estar sempre a contar a "Verdade", contra as "mentiras" dos outros, os da oposição, os que "não têm ideias nem conhecem os "dossiers"!!!... (devem referir-se aos documentos que "escondem" dos vereadores da Oposição, pois levam tudo cozinhado para as reuniões da vereação, que decorrem em olímpicos 10/15 minutos!)
Creio não errar muito se afirmar que Vila do Conde apresenta algumas realidades peregrinas, sem paralelo noutros municipios: os pelouros da actividade municipal, em vez de estarem nas mãos dos vereadores, estão nas mãos de "assessores" (ex-vereadores, normalmente, que ninguém elegeu para tratar dos assuntos do concelho). São individuos de exclusiva confiança política do presidente da câmara, enquanto os vereadores - mesmo que da oposição - têm legitimidade, esses sim, para co-gerir os destinos e opções municipais. Em Vila do Conde, são limitados a funções de assinatura: a favor, contra ou abstenção! Depois acabam as reuniões...Bela gestão, não há dúvida!
Ufa! Que semana!
Esta está a ser uma semana um pouco trabalhosa. Estou a ultimar o meu livro "Experiências de Livre-Pensamento em Vila do Conde", compilando algumas dezenas de artigos de opinião que publiquei em jornais (O Primeiro de Janeiro, Povoa Semanario e Terras do Ave) sobre questões de interesse local. Pelo meio, acrescento algumas histórias deliciosas - a título de exemplo, as "greves dos funcionários públicos" da autarquia, explicadas pela Câmara Municipal, em notas afixadas nas fachadas dos serviços, em papel timbrado e tudo; ou as "trocas de opinião" entre mim e Mário Almeida, que já me fizeram sentar no tribunal por alegados abusos de liberdade de Imprensa e difamação (fui absolvido mas o autarca recorreu para a Relação do Porto)...
Por outro lado, preparo também o lançamento de um jornal desportivo concelhio - a partir de Março mas com apresentação do número zero em 27 do corrente -, um "grande jornal" para os "clubes pequenos". A ver vamos como correm as coisas...

Monday, February 09, 2004

O comentador Vasco Pulido Valente

Aplaudi e já escrevi um comentário para o excelente "post" d'O Vilacondense sobre um texto (des)iluminado e infeliz do Eduardo PC, publicado no Público, a propósito de José Mourinho. Acrescento agora um comentário à coluna do reaparecido Vasco Pulido Valente (às sextas, sábados e domingos), no Diário de Noticias. Refiro-me, concretamente, à coluna de sábado passado, "Admirável?"
Escreveu este colunista, apelidado por uns tantos de "enfant terrible" - porque gosta de bater em "todos" em nome de uma "admirável"(?) e auto-proclamada independencia de espírito... -, que acha mal a busca de consensos para encontrar soluções equilibradas para os problemas principais do país, nomeadamente no que respeita às finanças públicas. Acusou o Governo, até o Presidente da República! Acusou toda a gente de querer "o suicidio do PS" se este, numa atitude séria, subscrevesse qualquer acordo com o Governo. Acha Pulido Valente que é preciso sermos todos admiravelmente divergentes - da confusão nascerá a luz? - em vez de saudavelmente diferentes mas responsáveis, e com sentido de Estado. Os portugueses estão ou não em primeiro lugar? Para o comentador, parece que não. Seria a "ditadura do centro", uma nova "união nacional" (que disparate), "and so on"... Enfim, seria uma desgraça nacional; até, provavelmente, o "fim da política".
Para Pulido Valente, o que é preciso é andar tudo de costas viradas, esquecendo que a atitude do Governo visa buscar solidariedade e unidade nacionais; e não, obviamente, qualquer tipo de unicidade - essa sim, castradora e passível de criar algum tipo de amorfismo. Agora, sinceramente, Pulido Valente! Admirável seria V. ir exorcizar os seus fantasmas do "bloco central" para outro lado. Se era para escrever estas tretas "revolucionárias", melhor seria ter ficado no "cantinho" por onde tem estado!
Outra surpresa minha, na noticia do Publico que refiro acima, foi aparecer um texto referindo Vila do Conde, sem loas, directas ou indirectas, ao poder municipal. Isto porque, muitas vezes, o colaborador deste diário na Póvoa de Varzim, Angelo T Marques, que costuma cobrir o dia-a-dia informativo vilacondense, gosta de escrever sobre aquilo que interessa ao poder local. Mais: quando apresenta qualquer iniciativa ou tomada de posição da oposição, "corre" a pedir a opinião de Mário Almeida, para "abrilhantar" os seus textos. É pena que, no inverso (por exemplo, após as regulares "conferências de Imprensa" do autarca, em que este fala de tudo e de nada, entre apertos de mão a uns e beijinhos às jornalistas), não me lembre de ter lido (ou sabido de) qualquer intento do referido colaborador poveiro do "Público" para recolher depoimentos da oposição. Feitio, defeito? Quem sabe? Talvez só o próprio, sobretudo desde que passou a fazer parte dos quadros do jornal, ao que consta...
Mas a notícia de ontem afinal fora escrita por um jornalista prestigiado, o Jorge Marmelo - por sinal, também um inspirado autor de prosas "bárbaras" e irreverentes. Ah, pois! Logo vi que não podia ter sido escrita pelo Ângelo. A diferença que conta...
A questão da água e outras coisas & loisas

Já não bastava sabermos que a Câmara Municipal não paga ao fornecedor (Águas do Cávado), há longos meses, a água que consumimos em Vila do Conde (mesmo depois de a receber na sua tesouraria), eis que a edição de ontem do Público (Caderno Local Porto) denunciava: "Vila do Conde tem as tarifas de águas mais caras na AMP". Triste notícia.
Agora compare-se com o concelho de V.N.Gaia, com a água mais barata, garantindo, ainda por cima, preços sociais nos escalões mais baixos, pelo que é debitada ao consumidor praticamente ao preço de custo. Por cá, vai tudo pelos valores máximos, como acontece com muitas outras taxas municipais. E como não paga ao fornecedor, o "lucro" municipal é ainda maior, constituindo uma habilidosa fonte de financiamento.
Quanto mais não seja, já que pelos vistos não se paga a fornecedores, se um dia não houver água nas torneiras - já esteve quase... - que se lixe; pelo menos, existirá dinheiro para pagar aos funcionários, que engrossam, todos os dias, de forma imparável, as fileiras de empregados municipais.
Os casos mais recentes: a fadista Eliana Castro (talvez para a compensar da falta de cumprimento da promessa de lhe subsidiariam a gravação de um CD) ou do guitarrista José Saraiva; ou ainda da Silvia Alves, presidente da Associação das Caxinas (depois do golpe palaciano), que recebeu agora a "paga" por ter aceite encabeçar a estratégia do poder local para correr com a anterior presidente; ou ainda o caso de Aurélio Batista, líder da JS local, candidato em sexto lugar na lista do PS concorrente à Câmara em 2001, mas afastado do poder pela subida de votação da coligação PSD/CDS-PP, que recolheu quatro mandatos (em vez dos habituais dois).
Só é pena que este "afã pagador" não se alastre à regularização dos créditos devidos aos fornecedores...

Friday, February 06, 2004

Por hoje, deixo para leitura o meu texto OS INIMIGOS DO HOSPITAL, publicado em www.oprimeirodejaneiro.pt, na minha coluna quinzenal "Almanaque de Costumes".

Algum trabalho impede-me de tecer mais considerações para o blog. Fica para a próxima. Boa leitura.

OS INIMIGOS DO HOSPITAL

Volta e meia, vem à baila a questão do futuro hospital Póvoa de Varzim/Vila do Conde, neste momento em discussão preliminar - sobretudo por falta de um terreno disponível (embora já se conheça a sua localização). Mas os actuais governantes têm-se manifestado confiantes em que a sua construção decorra ainda durante a presente legislatura, isto é, até 2006. Mesmo assim, os arautos da desgraça vêm "esgrimir" argumentos para a praça pública, procurando intoxicar a população. Ora dizendo que "o hospital está atrasado"; que quando "acabar de construir já estará desactualizado", entres outros blá-blás estafados.

Falemos claro. O mais importante (ou o mais caro, melhor dizendo) de um hospital não é o terreno onde vai ficar situado. No caso concreto deste hospital, cujo custo rondará os oito/nove milhões de contos, mais outro tanto em termos de exploração média anual, qual é o peso dos 600 mil euros que custa o terreno onde está previsto implantar esta unidade? Muito pouco. Ainda por cima, divididos por duas autarquias (a nossa e a vizinha poveira), caberia 300 mil euros a cada uma. Se calhar, o custo da piscina prevista por Siza Vieira, no programa Polis, para a chamada "frente atlântica", custará tanto ou mais do que o terreno para o hospital. É tudo uma questão de prioridades. Porque se pretende então mistificar este assunto?

Vejamos. Se considerarmos que durante seis anos de governação socialista (1995-2001) nada foi feito por Vila do Conde, apesar do presidente da Câmara ser "unha e carne" dos governantes da altura, não deixa de ser estranho que se pretenda agora que um Governo, que ainda não cumpriu dois anos de mandato, resolva tudo de atacado e por sua única iniciativa, sem o esforço conjunto da sociedade e suas instituições. Isso tem um nome: demagogia. Mas demagogia barata, facilmente denunciada.

Em Março de 1999, um responsável do Governo socialista anunciou que iria ser feita, "de imediato" (palavras reproduzidas por Mário Almeida), a expropriação do terreno para a construção do hospital. Porém, o assunto morreu aí – como tantos outros – para surgir nos últimos tempos, numa altura em que temos um Governo determinado, e com metas bem definidas para a sua acção. Ou talvez para escamotear que o Centro de Saúde de Vila do Conde estava em banho-maria e que este Governo o desbloqueou, através da Administração Regional de Saúde do Norte, onde se senta um administrador de Vila do Conde, Miguel Paiva; e que, em vez de um Centro de Saúde, vão surgir dois – o outro situa-se em Malta, em parceria com a Junta de Freguesia local, que contrariamente a Mário Almeida, não viu qualquer problema em ceder o terreno.

As "cenas" repetiram-se com as obras na Urgência do Hospital de Vila do Conde, tendo-se inventado até que esse serviço iria sair da nossa cidade. Só faltou ver o presidente da Câmara acorrentado ao velhinho hospital... Além do mais, foi "fabricada" uma auto-denominada "Comissão de Utentes" que se viria a eclipsar, mostrando o "flop" e o artifício da ideia dos seus mentores. As obras, essas, foram realizadas, com um alcance nunca antes alcançado no nosso concelho, dotando o nosso Centro Hospitalar com excelentes condições, já elogiadas pelos utentes.

A argumentação do presidente da Câmara vilacondense baseia-se no facto da construção de hospitais ser da competência do Governo. Mas esta não é a verdadeira razão. Esta é apenas uma razão de combate político – que prejudica os vilacondenses -, procurando desgastar a imagem do executivo de Durão Barroso.

A verdade é que - a gente sabe - a autarquia não teria dinheiro para comprar o tal terreno, ainda que quisesse, por estar completamente descapitalizada. Como exemplo, basta que se diga que continua a não pagar, há largos meses, à Águas do Cávado, os consumos de água dos vilacondenses, que recebeu entretanto na sua tesouraria.

Mas então enfrente-se a realidade e explique-se à população o que se passa. Não andem a inventar culpas do Governo para justificar insucessos ou dificuldades próprias.

Curiosamente, o mesmo presidente que diz não ter nada que comprar um terreno para o Governo construir um hospital, foi o mesmo que decidiu ceder os terrenos para o quartel da GNR e para a futura esquadra da PSP. Em que ficamos? Quais são as prioridades do presidente da Câmara? Quem são os inimigos do hospital?

Para acabar esta prosa, valerá a pena reflectir no exemplo das Câmaras de Loures (curiosamente socialista) e Vila Franca de Xira, as quais não tiveram os preconceitos de Mário Almeida e arranjaram os terrenos necessários para lá serem construídos os seus hospitais, um benefício para as respectivas populações, como é natural. Não parece ser assim em Vila do Conde. O que importa é acusar o Governo. Não seria melhor que o edil de cá se empenhasse também a pensar mais nos vilacondenses?

Thursday, February 05, 2004

Entretanto, correspondo ao pedido de divulgação de uma iniciativa do "Bloguitica":

"Lanço um desafio aos leitores do Bloguítica que estejam interessados em participar:
Num texto entre 50 e 125 palavras, deverão descrever como é que acham que será a blogosfera portuguesa daqui a um ano.
Todos os artigos que receber (bloguitica@hotmail.com) serão publicados no Bloguítica na próxima segunda-feira. A identidade do autor (e o nome do blogue se tiver um) será revelada ou não, dependendo da vontade do mesmo.
Será certamente interessante ler os textos para a semana que vem e, sobretudo, reler em Fevereiro de 2005…"

Ok. Pela minha parte, vou tentar participar!
Nesta fase inicial do meu blog, espero que compreendam os agradecimentos que, amiúde, irei fazendo, à medida que me vá apercebendo de algumas saudações pelo meu "surgimento". Assim sendo, aqui fica o meu obrigado para o "Lápis de Cor" do Eduardo (lá no outro lado Atlântico).

A propósito, aproveito para "esclarecer" a dúvida que lançaste: "Curioso, muito curioso é nao existir nenhum (blog) ligado a pessoas do PS...Ou pelo menos que a gente note que esteja desse lado da barricada...Porque sera?... Sera' o efeito Axe?..." (sic). Nada de fantasias publicitárias nem efeitos milagrosos, meu caro! A razão é mesmo só uma, ou melhor duas: a falta de qualidade (interior, cultural, humana, etc) na maioria dessa gente na nossa terra (sem pretensiosismos, acredita); a outra, mais triste ainda, é que existirá alguma boa gente - acredito que sim! - que gostaria de dizer umas coisas, mas tem a "voz do dono" a sobrepor-se... Fiz-me entender?

O outro agradecimento vai para o "Glosas" do Daniel, que tem uma capacidade "produtiva", em que o binómio quantidade/qualidade atinge dimensões generosas.

Wednesday, February 04, 2004

FORAL - Programa de Formação para as Autarquias Locais

As autarquias locais desempenham cada vez mais um papel importante na vida nacional, devendo estar preparadas, a todo o momento, para receberem mais competências e respectivas comparticipações financeiras para as poderem desempenhar. Vem isto a proposito da existencia de um programa de formação para os trabalhadores das autarquias, denominado FORAL, em áreas tão importantes como Ambiente e Ordenamento do Território, Modernização Administrativa, Sociedade da Informação, Energia, Cultura, Descentralização e Formação para o Desenvolvimento da Formação. É importante que os interessados forcem as respectivas entidades autárquicas - e todos sabemos o quanto esta formação também deveria atingir os elementos das Juntas no nosso concelho, nomeadamente os seus presidentes, uma grande parte incompetente, desinformada e meros mandatários nas freguesias dos designios da maioria municipal - para que possam condidatar-se a estes programas, de modo a que possamos ter um serviço autárquico bem prestado e global; e não "funcionários" de EDP's, CTT-Correio's e outros prestadores de serviços que andam as descaracterizar as nossas juntas de freguesia.
O nosso hospital (I)

Escreve hoje o diário Publico (caderno Local, pag 48), que o "Novo hospital Povoa-Vila do Conde só depois de 2005", reportando-se a um encontro entre Macedo Vieira e Mario Almeida, os dois presidentes dos municipios envolvidos, com o encarregado da Missão das Parcerias de Saude. Os dois autarcas manifestaram ao jornalista o seu descontentamento sobre a impossibilidade da construção do hospital apenas poder arrancar numa segunda fase dos dez já planeados; de qualquer modo - acrescento eu - sempre dentro desta legislatura, o que corresponde às promessas já feitas pelo Governo de Durão Barroso.
Isto porque, de facto, ainda não existe o terreno (apenas e tão só a sua provável localização). Obviamente, esta questão é um problema. Curiosamente, nesta noticia, Mario Almeida refere "compromissos assumidos" pelo governo anterior, em Março de 1999 (cerca de dois anos antes de ter abandonado o país à sua sorte), afirmando textualmente que os governantes da altura haviam comunicado que "a área de terreno ía ser de imediato expropriada"! Um "imediato" que, afinal, não foi possível concretizar - recordo a data, Março de 1999, e o Governo de Antonio Guterres caiu Dezembro de 2001...
Não me surpreende esta argumentação do autarca vilacondense. É seu uso e costume arremessar falácias e outros fait-divers para justificar a sua falta de concretização de projectos planeados (veja-se o caso dos planos municipais, aprovados nas Assembleias Municipais, com uma taxa de execução que pouco passa dos 50 por cento...). Ou então, só para encher o olho, incluir projectos - como o da famigerada esquadra da PSP, na Av. Baltasar do Couto - em que chegou a estar incluído em planos de investimento governamentais sem qualquer verba atribuída; ou os programas Polis (uma boa ideia, sem duvida), decididos pelo seu partido, mas sem verbas suficientes para se implementarem no terreno. Enfim, nada de mais - e não quero alongar-me muito em questões redutoras - vindo de um partido que tem gente como Guterres, que se engasgou com os valores do PIB (um dado essencial para qualquer governante), ou Mário Soares, que nunca soube distinguir mil...de um milhão!

Tuesday, February 03, 2004

Opinião

As "lombas" nas ruas de Azurara

Já abordei este tema na edição de 01 de Fevereiro do jornal “Terras do Ave”. Mas fi-lo como uma notícia, sem qualquer comentário, pois a minha formação jornalística, ao lado de alguns conceituados profissionais portugueses, fez-se segundo o principio de que uma notícia só existe depois de ter acontecido. Quer isto dizer que não aprecio elaborar notícias opinadas ou especulativas. Para isso, existem a s colunas de opinião, as quais não me inibo de manifestar. Sendo assim, retomo então o tema das lombas (inacreditáveis) existentes em algumas artérias de Azurara, que martirizam viaturas e a disposição não só dos azurarenses mas também dos vizinhos de Tougues e Retorta.
Aí vai então o que eu penso sobre o assunto, como complemento da notícia já divulgada.

Parece-me que agora, após a instalação da caixa “Multibanco”, à qual se opunha obstinadamente, há dois anos, Ventura Saraiva, presidente da Junta de Freguesia de Azurara, impõe-se corrigir a elevação das lombas existentes nalgumas ruas desta freguesia.
O executivo da Junta tem andado a “inventar” medidas para as lombas, revelando completa ignorância sobre as recomendações legais em vigor. É verdade que Ventura Saraiva não tem automóvel nem conduz, pelo que se lhe poderá perdoar algum desconhecimento sobre o martírio da condução em locais com lombas tão exageradas.
E como parece não saber – não vamos pensar que o esteja a fazer por má-fé... – deixo-lhe aqui, a ele e aos outros elementos da Junta, um breve comentário esclarecedor sobre este tema. Os três modelos-base em vigor em Portugal são: dorso de 3 cm, para estradas com limite de velocidade inferior a 50 km/h; dorso de 5 cm, para estradas com limite de velocidade inferior a 40 km/h; e dorso de 7 cm, para estradas com limite de velocidade inferior a 30 km/h.
Ora todos sabemos que o objectivo da lomba consiste em “obrigar” o automobilista a reduzir a velocidade, sob pena de sofrer o desconforto do embate, sucessivo, quer das rodas dianteiras quer do saltar das rodas traseiras, mais o perigo de poder danificar o veículo e os objectos que possa transportar no interior do veículo; contudo – reza o Código da Estrada – “as pessoas devem abster-se de actos que impeçam ou embaracem o trânsito ou comprometam a segurança ou a comodidade dos utentes das vias”, que é aquilo que as lombas da Junta andam, precisamente, a provocar.

Assim, documentos tais como o Decreto-Lei 379/97, de 27 de Dezembro, e a Lei Orgânica da Direcção-Geral de Viação (Decreto-Lei 484/99, de 10 de Novembro), para além do próprio Código da Estrada, contêm matéria de estudo suficiente para que os responsáveis de Azurara corrijam, a tempo, os desníveis disparatados que andam a espalhar pela freguesia, sem se esquecerem de colocar os sinais de trânsito respectivos, com a indicação do limite de velocidade e do sinal de perigo “lombas”.

(Ah! outra coisa, sr.Ventura Saraiva: não pratique a "birrice saloia" de aumentar ainda mais o nível das lombas - como fizeram recentemente servidores seus - como resposta à contestação dos utentes de automóveis... Fica-lhe mal, acredite! Aconselhe-se antes de se precipitar nos seus impulsos mais primários...)

De resto, muitos juristas consideram que a legislação em vigor não é suficiente para legalizar o uso generalizado das “lombas” em Portugal, pelo que as entidades que as colocam na via pública (autarquias e Instituto de Estradas de Portugal) e nas vias do domínio privado abertas ao público, são passíveis de responsabilidade civil e eventualmente criminal.



Aproveito para saudar o Nelson, um jovem (e excelente!) jornalista vilacondense, e o seu blog "Passarola Voadora", e à inspirada dupla Dupond/Dupont, d' "O Vilacondense", que referiram e saudaram o surgimento do meu blog. Muito agradecido pela referência. Espero não os desiludir, nem a quem quer que seja, e resistir á tentação de me ficar por "entre-portas". Para já, não haverá muito tempo para mais. Mais, aguardem, pois há mais marés que marinheiros...
Nada de particular para assinalar em termos locais.
Apenas talvez o tempo, esse estranho professor, que hoje abriu folga do seu mau feitio invernal e brindou-nos com um sol pleno que cobre a nossa cidade, a fazer lembrar (sempre) José Régio e Ruy Belo, poetas que souberam, por conhecimento próprio, saudar o ambiente vilacondense. E, como Régio, fui à praia e vi "a espuma pelo areal a rolar"...e senti "Vila do Conde espraiada/entre pinhais, rio e mar"...

Monday, February 02, 2004

Sociedade - Fim das festividades em honra da Nossa Senhora da Guia
Com a missa das 16h00, chegam ao fim as festas em honra de Nossa Senhora da Guia, que tiveram início no dia 25 de Janeiro passado. Infelizmente, a procissão - prevista para o domingo, 25 - este ano não saíu, devido ao mau tempo. Uma limitação séria a esta majestosa iniciativa, no fundo a mesma que desmotiva a Confraria de Santo Amaro em promover também uma procissão nas suas festas (até 20 de Janeiro). As condições atmosféricas no primeiro mês do ano não garantem, de facto, que o sol brilhe para permitir iniciativas na rua. Uma das mais significativas manifestações religiosas dos pescadores da cidade de Vila do Conde - os pescadores de Caxinas também têm o seu patrono, o Nosso Senhor dos Navegantes -, com todas as pessoas a rumarem à pequena capela na foz do Ave - uma das partes é milenar (do Séc.XI) e já se chamou S. Julião da Barra (existe uma imagem com o santo que integra a procissão). Mais tarde, em finais do séc.XVI, foi-lhe acrescentada uma parte maior, adoptando então o nome de Nossa Senhora da Guia. Está de parabéns o Neca Santos e os confrades que o ajudaram a montar mais uma festa, que contou, como habitualmente, com o apoio e contributo de muitos mestres e pescadores.
Sociedade - Tentativa de assalto em Touguinha
Ontem, domingo, um grupo de quatro individuos tentou assaltar a Touguicorte, de José Eiras, sediada em Touguinha. Por volta das 22h30, este conhecido empresário foi avisado em casa que a sua serralharia (com serviços de corte, quinagem e canelagem) estaria a ser assaltado, encontrando-se várias pessoas no interior da oficina. Avisada a GNR de Vila do Conde, rapidamente chegou à sua empresa pois mora perto. Foram apanhados dois individuos, um dos quais armado, com idades na casa dos 40 anos, e ambos de Labruge. Outros dois conseguiram fugir. O Zé passou a segunda-feira toda no tribunal de Vila do Conde, onde os dois assaltantes foram apresentados já que tinham sido detidos em flagrante delito. Muito tempo perdido, que lhe fez atrasar o trabalho na oficina. Os ladrões já tinham à entrada da porta uma série de material pronto a ser transportado, nomeadamente chapas de cobre e outros materiais diversos. Para além da preocupação e sobressalto, José Eiras teve vários prejuízos com o material manipulado pelos bandidos, com várias chapas vincadas e pouco aproveitáveis. Rápida intervenção da GNR e lenta intervenção judicial, pois cerca das 16h00 os delinquentes ainda não tinham sido ouvidos por qualquer juiz.
Centro de Ciência Viva - Exposição dedicada à Água
O "Diário de Notícias" sugere uma visita à exposição sobre a água, petente no Centro de Ciência Viva. São referidos os 18 módulos que integram esta mostra, por sinal interactivos, através dos quais os visitantes podem observar e experimentar certos fenómenos; além do mais, pode ser feita uma visita ao laboratório, onde existem mais experiências diversas para comprovar, e assistir no pequeno auditório à projecção de um filme, onde é narrada a viagem da "Gotinha" (d´Água) desde a Via Láctea até à nascente do rio Ave. É bom saber que um jornal (sobretudo de Lisboa), mas com redacção no Porto, está atento à qualidade de alguns dos nossos equipamentos.
"Áreas naturais a caminho da morte"
No texto respeitante à ROM, a jornalista escreve que "o caos tomou conta de paraíso criado em 1957", referindo-se ao dec-lei de 1957 que criou a Reserva Ornitológica de Mindelo, segundo um projecto de Joaquim Santos Junior, então professor do Instituto de Zoologia da Faculdade de Ciências do Porto. Actualmente com 594 hectares, a reserva permite que as aves disponham de um habitat fantástico, que tem merecido aturados estudos. O jornal "Terras do Ave", por exemplo, tem publicado regularmente uma coluna, em colaboração com a associação Amigos de Mindelo, onde são descritos, com imagens e principais características, as várias espécies existentes. No artigo do JN, a jornalista considera também, entre aspas, que algumas construções que foram surgindo na zona ao longo dos anos "são de legalidade duvidosa". Fez bem escrever com a protecção das aspas, pois é necessário ter cuidado com certas afirmações. Na verdade, parece que existem zonas da reserva que são propriedade privada e uma sociedade de Direito não pode escamotear direitos dos proprietários e proceder a desanexações ou qualquer tipo de expropriação selvagem, mesmo que em nome da Natureza. No meio de alguma papelada que anda de "cá para lá", de ministérios para a Câmara Municipal e vice-versa, mais Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza ou a Comissão de Coordenação da Região Norte, sobressai a ponderada decisão da Assembleia da República, em finais do ano passado, que recomendou ao Governo que crie a Área de Paisagem Protegida do Reserva de Mindelo. Esse acto será certamente praticado, mas com a necessária sensatez e ouvindo todas as partes, em nome de uma clarificação que a "passarada" agradecerá.
Como prometido, cá estou a inaugurar mais um "blog" vilacondense.
Parece-me útil iniciar estes apontamentos sempre com uma leitura aos jornais que se publicam diariamente, nomeadamente aqueles que fazem qualquer referência ao nosso concelho. Afinal, "ler jornais é saber mais". E, como jornalista, não poderia deixar de "puxar a brasa à minha sardinha".

Jornais escrevem sobre temas vilacondenses
Nesta primeira segunda-feira de Fevereiro, com um sol envergonhado a ocupar o nosso horizonte, coado por uma luz branca que incomoda os olhos - ah! a idadezita a fazer das suas, obrigando-me a trocar de óculos normais para uns de sol mais filtrantes... -, folheio os jornais e deparo-me com duas referências a Vila do Conde: o "Jornal de Notícias", abordando a questão da "ROM - Reserva Ornitológica de Mindelo" (página 33), integrado numa excelente reportagem de Margarida Fonseca, sobre "Áreas naturais a caminho da morte" e o "Diário de Notícias", sugerindo o nosso "Centro de Ciência Viva" como local de visita obrigatória (página 26).

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